Garota Problema


O valor da vida
22 de agosto de 2009, 00:53
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Tem dias que a gente acorda e pode estar o frio que for lá fora que você nem se incomoda de já ter pensado numa roupa e ter que adaptá-la ao mau tempo. Fica feliz porque o final de semana está chegando e parece que tudo vai se resolver. Pra mim hoje o dia demorou pra passar, as horas foram se arrastando e num determinado momento eu me pego chorando ouvindo uma música, eu começo a refletir sobre o valor da minha vida. No dia anterior eu tinha comentado no Twitter que se fosse pra morrer, que eu morresse formada. Ora, mas é claro que nem morrer eu quero. Quero me formar, me especializar, me pós-graduar, casar, ser mãe…enfim, quero ter a vida que eu sonho desde que me dou por gente. Mas e o preço que eu vou pagar pra realizar esse sonho?

Acredito que todo mundo tenha dias difíceis. Aqueles dias que você só sente vontade de não sair da sua cama e deixar o mundo lá fora, se refugiar dentro do seu mundinho, mas você precisa encarar o mundo, levantar a cabeça e seguir. Por mais difícil que seja, todos os dias travamos batalhas pessoais e tentamos vencer nossos próprios medos.

Hoje eu chorei pela perda de uma pessoa que eu nem conheci, uma pessoa que tirou a própria vida. Como eu não a conheço, não sei como estava a vida dela, não sei das suas batalhas, dos seus erros e dos seus acertos, nem do que a afligia. É muito triste saber que certas coisas andam ao seu lado e vem assim, sem avisar. Também é triste ver uma pessoa que não consegue se ajudar, largar o que pode ser um vício ou um comodismo ou qualquer coisa que possa ser nomeada.

Já passei por momentos em que eu gritava e ninguém parecia me ouvir. A minha solução foi fugir. Eu abri mão de um alicerce, de uma coisa conhecida e fui encarar o novo. Não sou uma pessoa muito aberta a coisas novas porque eu sou medrosa, mas pra eu me sentir melhor eu tive que fugir de mim mesma pra aparecer outra Camila, que é essa Camila que todo mundo conhece. A outra, que está no passado, eu não quero e nem vou apresentar. Aquela menina mimada, cheia de dúvidas, mas cheia de certezas incertas é essa pessoa que hoje luta para sobreviver nessa salva caótica de pedra e se fortalece nos seus medos.

Quanto a essa pessoa que se foi eu só espero que ela esteja melhor onde está e que a sua família se conforme e se console desta perda. Não é fácil perder alguma coisa, muito menos o que a gente ama. É preciso seguir em frente, levantar a cabeça e ser forte não só por si, mas por aqueles que não conseguem ser fortes sozinhos. Hoje? Eu vou dormir com a luz do corredor acesa, pois como eu disse, sou medrosa.